A Igreja Católica e Seus Ritos
É comum encontrar, em especial em discussões com ortodoxos, uma confusão entre a Igreja Católica e o Rito Latino ou Romano. Muitos parecem crer que trata-se da mesma coisa. Bom, estão errados.
A Igreja Católica comporta mais de 20 igrejas particulares sui iuris, com ritos diferentes, liturgias (o modo como a missa é celebrada) distintas, costumes próprios e hierarquia local própria. Por exemplo, diversas igrejas católicas têm seu próprio patriarca, sem com isso negar a autoridade papal.
É por isso que cristãos católicos maronitas (no Líbano, de rito siríaco), católicos caldeus (sobretudo no Iraque), católicos bizantinos (como os greco-católicos ucranianos, na região da Galícia, oeste ucraniano), católicos armenos, e muitos outros, são católicos no sentido total do termo, mesmo que não sejam latinos.
Assim, é fato que a esmagadora maioria (alguns dizem 98%) dos católicos são do rito latino. É o caso da maioria dos brasileiros (geralmente excetuando-se imigrantes libaneses, sírios, ucranianos...). Porém, os 2% restantes estão dispersos entre diversas igrejas católicas particulares. Mas continuam sendo integralmente católicos, isto é, crêem em todos os dogmas católicos, e estão em total comunhão com o papa. Nisso, se diferenciam dos chamados "ortodoxos".
O papa é, simultaneamente, o bispo da cidade de Roma, o patriarca da Igreja de Rito Latino, e o papa de toda a Igreja Católica. São três funções distintas, mesmo que exercidas pelo mesmo homem. Assim, o meu papa é o papa Francisco, pois sou católico. O meu patriarca também é o papa, pois sou católico do rito latino. Mas meu bispo não é o papa Francisco, e sim o cardeal Dom Orani, pois sou do Rio de Janeiro. Entendem?
Da mesma forma, suponhamos um greco-católico ucraniano. Ele é católico, tão católico quanto eu. Mas não é do rito latino, e sim do rito bizantino ucraniano. Assim, sua missa é diferente, seu calendário, dependendo do caso, também, e algumas práticas devocionais também podem mudar. Mas continua sendo integralmente católico, crê exatamente nos mesmos postulados de fé que eu, e reconhece no papa exatamente a mesma autoridade que eu reconheço. Possivelmente rezará o terço, terá devoção a santos latinos como São Pio de Pietrelcina, talvez até faça as estações da cruz e outras devoções tradicionalmente latinas. Nada o impede, pois é católico.
Ainda versando sobre tal exemplo, o papa deste católico ucraniano será o papa Francisco. Seu bispo será o bispo da diocese onde tenha sido batizado. E seu patriarca não será o papa, mas sim o arcebispo-mor (cargo similar ao de patriarca) Sviatoslav-Shevchuk, pois ele é o chefe local da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Isso sem negar a autoridade papal, pois Shevchuk ainda assim está sob tal autoridade, reconhecendo-se integralmente que o papa está acima na hierarquia da Igreja. Aí está, repetindo-me, o grande diferencial entre um católico de rito oriental e um ortodoxo.
Explicada a situação eclesiológica e hierárquica, alguns poderiam se perguntar, "ok, mas de onde vem isso? Por que há ritos distintos, e por que há aqueles (os ortodoxos) que se mantém separados do papa, enquanto há outros (os católicos dos ritos orientais) que estão em plena comunhão?". Bom, para tal questão caberá a recuperação da história, algo que, de forma a não me delongar demais neste artigo, buscarei explanar em futuras publicações; Até lá, e um abraço.
Viva Cristo Rei!
Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 2020.


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