Alguns Comentários Sobre As Cruzadas
Amados, boa noite. Hoje, quero vos falar sobre a questão das cruzadas. Muitos atacam a nós católicos, à civilização ocidental, à Europa, e à Idade Média em geral, com a ideia, extremamente distorcida, de que as cruzadas representaram o ápice da estupidez e loucura religiosa de um povo cego por uma Igreja corrupta e sedenta por poder.
Bom, primeiro cabe relembrar que, centenas de anos antes da primeira cruzada (1096), tivemos a aparição de Maomé, na Arábia. Este homem e seus seguidores, lograram unificar a Arábia sob sua nova religião, o Islã, por meio da conquista político-militar. Seus sucessores, os califas, e demais reinos islâmicos, gastarão os próximos séculos invadindo a Síria, Palestina, Assíria, Pérsia, Egito, Líbia, Espanha, Sicília, saqueiam a Itália, penetram até a França (Poitiers), Anatólia...
Isso tudo bem antes da Primeira Cruzada. Vale notar que essas terras eram, à época, ou de maioria cristã, ou com significativa população cristã, talvez com a exceção da Pérsia. E o que sucede são massacres, fugas, conversões forçadas, tratamento pesado dos sobreviventes, violações de locais sacros, destruição de templos, escravidão sexual, saques...
Todo o mundo cristão, após perder sob o Islã algo como um terço de suas terras, agora se via cercado por esta nova força, desde a Ibéria até a Anatólia (de oeste a leste), e o Mar Mediterrâneo se tornara um lugar de intensa pirataria e saque islâmico contra cristãos. A Terra Santa, outrora sob o Império Bizantino cristão, agora estava à mercê do Islã. A Europa estava literalmente cercada por essa religião de modo geral hostil à cristandade, e de ímpeto conquistador.
Essa é a verdade histórica. Não é necessário ser cristão para compreender isso. Apenas possuir suficiente conhecimento histórico sobre o assunto e ser honesto.
A Primeira Cruzada, mais especificamente, surge quando o imperador bizantino, violentamente pressionado pelos avanços dos turcos muçulmanos, pede ao papa auxílio militar. Além disso, outro forte motivo foi a renovação da perseguição dos peregrinos cristãos na Terra Santa, quando da invasão desta região também pelos turcos.
O papa responde, relembrando aos cristãos o quanto seus irmãos orientais sofriam sob o jugo islâmico, e convocando os nobres e guerreiros da cristandade para retomar a Terra Santa. As indulgências que ele prometeu como recompensa NÃO constituíam um "passe-livre" para o céu, ou um perdão de todos os pecados, inclusive os que ainda nem haviam sido cometidos. Isto é mentira.
As indulgências removem o que sobra de pecados JÁ PERDOADOS, via de regra por meio do arrependimento e confissão sacramental. Assim, reduzindo ou eliminando o tempo que tal pessoa precisaria passar no purgatório. Não é um perdão dos pecados (isso ocorre no sacramento da penitência); Não é um passe-livre para o céu - isso não existe. Não é um perdão antecipado de pecados que ainda nem foram cometidos, ou seja, um passe-livre para cometê-los - ISTO TAMBÉM NÃO EXISTE. E, como já explicado, se você não se arrepende dos seus pecados, nem todas as indulgências do mundo vão lhe ajudar.
A cruzada é uma expedição militar oficialmente convocada pelo papa. Os convocados são homens guerreiros, voluntários, nobres. Havia uma série de regras, como por exemplo - o homem que fosse casado e quisesse partir em cruzada, deveria receber a permissão da esposa. A Igreja NUNCA convocou para as cruzadas, crianças, mulheres, velhos, ou quaisquer outras pessoas que não estivessem aptas à guerra. As famosas cruzadas das crianças ou dos mendigos NÃO foram cruzadas, o papa NÃO as convocou, e mesmo ORDENOU que voltassem.
Outro ponto muito tocado é o do saque de Constantinopla, quando da Quarta Cruzada. Cabe salientar que a mesma fora convocada para atacar o Egito e, de lá, marchar para a Terra Santa. O papa NUNCA convocou cruzadas contra os ortodoxos, mesmo que já estivessem separados. O que ocorreu é que, devido a uma série de complicações políticas e financeiras, os cruzados, aliados com os venezianos, foram convencidos a alterar o rumo da cruzada para Constantinopla, contra o que o papa Inocêncio III PROTESTOU VEEMENTEMENTE. Ainda assim, eles o fizeram e saquearam a cidade, sem nenhuma permissão do papa, e sob pena de excomunhão.
Outro exemplo muito citado é o massacre de Jerusalém, na Primeira Cruzada. Quanto a este, mais uma vez, NUNCA foi ordenado pela Igreja que se massacrasse civis ou homens desarmados, mesmo os de outras religiões. O que ocorreu foi, como no saque de Constantinopla, uma desordem e desobediência, em grande parte talvez devido ao fato de que quando os cruzados tomaram a cidade, estavam sem líder, fosse militar (que se não me engano se encontrava em Antióquia) fosse espiritual, o que provavelmente favoreceu o caos.
Enfim, talvez caiba mais o que dizer no futuro sobre este tema, mas por enquanto encerro aqui. Abraços.
Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2021.






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