São Sebastião
Prezados, como ontem foi dia de São Sebastião, gostaria de hoje escrever um pouco sobre o grande santo e mártir (e padroeiro de minha cidade natal, o Rio de Janeiro).
São Sebastião nasceu em Narbona, no sul do que é hoje a França, à época pertencente ao Império Romano, por volta do ano de 250/256. Conta-se que sua família era cristã, e que portanto São Sebastião já foi criado na fé, em especial por sua mãe, cristã fervorosa.
Assim como o seu pai, que provavelmente fora soldado do Império, Sebastião alistou-se ainda jovem no exército romano. Sua fama de excelente soldado cresceu, levando-o a tornar-se chefe do primeiro coorte de infantaria - a famosa guarda pretoriana (à época, uma tropa de elite).
Naquele tempo, sob o imperador Diocleciano, havia uma forte perseguição contra os cristãos, de modo que Sebastião ao início manteve sua fé oculta. Sebastião nesse momento já se dedicava ao conforto dos cristãos perseguidos e martirizados, estimulando-os na perseverança, visitando os cárceres. Por meio de seu testemunho, diversos pagãos, incluindo soldados, carcereiros e mesmo um prefeito, se converteram.
Houve também milagres, como a aparição de Cristo com sete anjos perante Sebastião, enquanto ele consolava dois prisioneiros cristãos. Uma mulher, chamada Zoé, esposa de um funcionário imperial, que vira a cena e estava muda havia seis anos, ao buscar expressar para Sebastião sua admiração perante o ocorrido, recebeu dele a resposta de que, se tivesse fé, Cristo poderia curá-la. Fez sobre ela o sinal da cruz e, milagrosamente, ela voltou a falar.
Tanto ela quanto o marido se converteram, assim como os pais dos dois cristãos consolados, o carcereiro e mais dezesseis pessoas.
A fama de excelência militar de Sebastião alcançou o imperador, que o promoveu a chefe de sua guarda pessoal. Os rumores, porém, de que Sebastião era cristão e auxiliava os seus irmãos de fé perseguidos e encarcerados, não tardou a chegar aos ouvidos do imperador.
Um cristão de nome Torquato, que delatava cristãos para evitar a sua própria condenação, revelou ao imperador que Sebastião era um "traidor", um cristão, que, ocultamente, auxiliava os que Diocleciano mandava prender e matar.
O imperador manda chamar Sebastião e o confronta com tal afirmação, perante a qual o mártir compreende que era chegada a hora de revelar a sua fé. Diocleciano, enfurecido, o acusa de traição perante os deuses de Roma, violação das leis, e de enganar o imperador - ao que Sebastião responde:
"Imperador, quanto aos deuses romanos, eu não temo, pois nunca lhes jurei fidelidade. Quanto às leis, sempre as cumpri, desde que não contrariassem a minha fé e a minha consciência. Quanto à minha lealdade, imperador, será que todos os combates em campos de batalha contra persas e mouros não bastaram para atestá-la? Quantos não foram os prisioneiros que fiz e submeti à sua obediência? Quantas vezes recebi coroas de louvor do imperador pelas vitórias conquistadas? Por isso, posso tranquilamente lhe afirmar que nenhum soldado foi mais leal e que essa lealdade não implicou ofensa nem aos seus deuses e nem ao meu Deus."
Diocleciano ainda tentou lhe convencer a abandonar a fé cristã e se converter ao paganismo romano, ao que Sebastião porém recusou-se firmemente, afirmando que jamais cultuaria deuses que nunca existiram, e que o imperador poderia fazer dele o que quisesse, que seu sangue derramado seria uma vitória para os cristãos, e que ele prestava um serviço inestimável ao povo e ao Império, revelando-lhes o verdadeiro Deus. Sebastião acabara de assinar sua sentença de morte.
O imperador ordena que seja atado a uma árvore no jardim em honra a Apolo, e que seu corpo seja crivado de flechas. Amarrado ao tronco de uma árvore, São Sebastião foi alvejado na bexiga, artéria braquial, artéria femoral e, finalmente, no coração. Com a perda de sangue e feridas, Sebastião desmaiou. Julgando-lhe moribundo, os soldados deixaram-no lá para que sangrasse até a morte.
Um grupo de cristãos, dentre os quais uma viúva de nome Irene, aguardaram o anoitecer para retirar seu corpo e prepará-lo para um sepultamento cristão. Para seu espanto, porém, descobriram que ele ainda estava vivo. Levaram-no para a casa de Irene, onde foi tratado até que se recuperasse.
Um dia Sebastião resolveu que devia partir, e voltar ao imperador, no que Irene tenta dissuadi-lo, aconselhando-lhe que fuja. Mas o mártir insiste que seu lugar era ali.
Era 20 de janeiro, data em que o imperador saía em cortejo para cultuar o deus Hércules. Qualquer um que quisesse pedir ao imperador alguma graça poderia fazê-lo nesse dia. Sebastião aproveita a oportunidade e se apresenta a Diocleciano, que, absolutamente chocado, oferece-lhe novamente a chance de abandonar sua fé.
O santo novamente recusa; Acusa o imperador de matar cristãos, destruir seus templos, profanar altares, maltratar os pobres; pede que solte os cristãos inocentes e se converta à fé cristã. Diocleciano, incrédulo e irado, novamente ordena sua morte, e desta vez faz questão de se certificar pessoalmente que morra.
Ordena que seja espancado até a morte, com chibatas, porretes e bolas de chumbo. O próprio imperador se aproxima do corpo e confirma sua morte.
Era o dia 20 de Janeiro de 288 (ou, de acordo com outras fontes, 303). Seu corpo foi lançado no esgoto de Roma, para que não fosse venerado pelos cristãos. Porém, uma determinada noite, uma mulher de nome Luciana tem um sonho, em que Sebastião lhe revela que seu corpo jazia preso a um pedaço de ferro no esgoto. Ele foi encontrado na correnteza do Rio Tibre. Seu corpo foi resgatado e sepultado com honras de mártir nas catacumbas de Roma.
São Sebastião é venerado como intercessor especial contra a fome, peste e guerra. Diversas vezes, em diversas cidades pelo mundo (incluindo no Brasil), rogou-se a ele com sucesso pelo fim de epidemias e cura de doenças.
Conta-se que, no Rio de Janeiro, no século XVI, enquanto os portugueses - sob Estácio de Sá - aliados aos indígenas convertidos Temiminó, batalhavam contra os franceses calvinistas (protestantes) e seus aliados tamoios, São Sebastião apareceu ao lado das canoas dos portugueses e temiminós, com espada na mão, auxiliando-lhes contra os invasores franco-tamoios.
Os tamoios eram uma confederação de índios que haviam se aliado com o desejo de guerrear contra os portugueses, e haviam expulsado os temiminó, habitantes até então da Baía de Guanabara, ao que os mesmos fugiram para o norte, onde encontraram os portugueses e, convertendo-se, aliaram-se à Coroa.
Quando os franceses calvinistas, liderados por Villegagnon, invadem a região da Guanabara, se aliam aos tamoios, como inimigos naturais dos portugueses, que por sua vez já estavam aliados aos Temiminó, inimigos dos Tamoios.
A guerra que se sucede tem Estácio de Sá no comando das tropas portuguesas-temiminó e é neste contexto que se funda os fortes e mais tarde a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O nome e padroeiro foi escolhido tanto em homenagem ao rei Dom Sebastião I quanto ao próprio santo, por seu auxílio prestado na batalha das canoas.
Uma curiosidade: essa batalha ocorreu no dia 20 de Janeiro, o mesmo dia em que a memória do santo é celebrada.
São Sebastião é tido como o terceiro padroeiro de Roma, após São Pedro e São Paulo. Consta que sua canonização tenha ocorrido por volta do ano de 354. À época, o Império Romano já havia se convertido ao cristianismo.
Padroeiro dos soldados, doentes, atletas, e dos cristãos perseguidos.
Glorioso mártir São Sebastião, padroeiro e defensor da cidade do Rio de Janeiro, vós que derramastes vosso sangue e destes a vossa vida em testemunho da fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, livrai-nos de toda epidemia corporal, moral e espiritual. Protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra. Defendei-nos do pecado, que é o maior de todos os males. E que o justo persevere na sua fé e propague o amor de Deus, até o triunfo final. São Sebastião, corajoso missionário em tempos difíceis, dedicado amigo dos cristãos perseguidos, intercedei por nós junto ao Pai, a fim de que, inspirados por vosso testemunho, nos tornemos firmes no caminho do bem, consolo e ânimo dos que sofrem, defensores dos aflitos, instrumentos constantes de evangelização. Amém.
São Sebastião, advogado contra a peste, fome e guerra, rogai por nós.
Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 2021.





Comentários
Postar um comentário